A poesia visual de Arnaldo Antunes

© Divulgação

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Considerado um dos artistas mais versáteis da cena contemporânea brasileira, Arnaldo Antunes, mais conhecido por suas produções musicais e literárias, inaugurou, no dia 11 de julho, a exposição “Palavra em Movimento”, no Centro Cultural dos Correios, em São Paulo. Reunindo cerca de 70 obras em diversos suportes produzidas nos últimos trinta anos, essa é primeira grande exposição de Arnaldo, que já participou de importantes mostras coletivas, como as bienais de Havana, São Paulo e do Mercosul, e realizou pequenas mostras individuais, sendo a mais recente na Galeria Laura Marsiaj, no Rio de Janeiro, em 2014.

“Palavra em Movimento” tem curadoria de Daniel Rangel, que, segundo Arnaldo, foi quem sugeriu uma exposição mais abrangente, que englobasse parte significativa de sua produção: “Eu queria muito levar a exposição do ano passado a São Paulo. O Daniel Rangel, que foi o curador, sugeriu fazer algo que englobasse, além desse novo material, produções mais antigas, já que eu tenho colagens, vídeos, objetos, áudios. Eu achei bacana, o Centro Cultural dos Correios topou fazer e o projeto aconteceu. Então partimos para este mosaico do que seria mostrado, foi um processo de seleção conjunta. A exposição se tornou uma produção bem diversificada, fiquei bem contente com o resultado”.

Arnaldo, que classifica suas obras como “poemas visuais” ou “poemas objetos”, tem na palavra a matéria prima fundamental de seu trabalho. Seja em uma colagem, em uma fotografia, em uma instalação ou em um vídeo, o que podemos perceber é uma profunda pesquisa sobre os limites e papeis que a palavra ocupa no espaço e no tempo. Se em suas composições musicais o uso da palavra reforça os elementos rítmicos e melódicos, nas obras visuais destaca-se a materialidade da palavra. O artista acredita que esta materialidade não se sobrepõe aos aspectos semânticos e fonológicos pois “a poesia é onde mais se aproximam forma e conteúdo” e ao tornar um poema objeto, este é imantado “por mais camadas de significação”.

A mostra propõe um recorte cronológico a fim de evidenciar o percurso no qual a poesia de Arnaldo ultrapassa seus limites literários para manifestar-se em outros suportes. O artista revela seu cuidado ao realizar a transposição de um poema para outros meios para que não seja abandonada a significação poética e o resultado não se justifique semanticamente, tornando-se apenas ”um trocadilho, uma coisa tola”.

Segundo o curador da mostra, Arnaldo Antunes “é um artista do presente que aborda temas atuais: conceitos políticos, comportamentais, ecológicos, espirituais e poéticos para diversos públicos e em contato com diferentes mídias”. A exposição vai até o dia 30 de agosto em São Paulo, depois segue para Brasília, onde fica de 10 de setembro a 8 de novembro e encerra-se no Rio de Janeiro de 2 de março a 1º de maio de 2016.

Arnaldo Antunes concedeu uma entrevista exclusiva à Dasartes, que você confere na edição 41, de agosto/setembro, da revista impressa.

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