A paixão segundo JL

© Divulgação

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O filme “A Paixão de JL” entra em cartaz nop dia 25 de fevereiro com estreia simultânea em São Paulo e nas capitais do Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia.

Com narração do próprio Leonilson (1957-1993), direção de Carlos Nader e realização do Itaú Cultural, o longa-metragem relata os três últimos anos de vida do artista. Antes de entrar no circuito de cinemas, o filme percorreu e conquistou premiações em festivais no Brasil e no exterior. Entre eles, o prêmio de melhor crítica e de melhor documentário brasileiro no É Tudo Verdade de 2015 e no Mix Brasil de Cultura da Diversidade, o reconhecimento de melhor longa-metragem pelo júri popular no Festival Mostras CURTA-SE (Festival Ibero-Americano de Cinema de Sergipe), igualmente no ano passado, e o prêmio especial pelo júri no 37º Festival Internacional do Novo Cinema Latino-Americano de Havana. A pré-estreia nacional do filme aconteceu no final de janeiro, em sessão especial na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, como uma homenagem ao artista. “A EAV foi um lugar central na carreira de Leonilson. Foi onde ele cresceu e se projetou”, conta Nader.

Em uma hora e meia, o depoimento de Leonilson é alinhado a imagens, músicas e algumas das suas principais obras, formando uma poética audiovisual sobre as impressões do que o artista viu e sentiu em seus últimos três anos de vida. A ideia que culminou na realização do longa-metragem surgiu em 2011, quando o Itaú Cultural fez a mostra Sob o Peso dos Meus Amores retrospectiva da obra de Leonilson. Carlos Nader foi convidado a dirigir um curta sobre a exposição cujo resultado levou, naturalmente, à produção deste longa-metragem.

Pintor, desenhista e escultor brasileiro José Leonilson Bezerra Dias, nasceu em Fortaleza, e morreu em São Paulo, vítima da Aids. Em janeiro de 1990, quando tinha 33 anos – três antes de morrer –, ele começou a confeccionar um diário íntimo gravado em fitas cassete. Nader, seu amigo pessoal, conseguiu acesso ao material guardado pela família. “Alternando reflexões sobre sua intimidade e sobre o espírito de sua época, ele deixou um registro precioso em que um indivíduo especialmente sensível se relaciona com as grandes mudanças de seu tempo”, diz o diretor.
A partir do diário de Leonilson, ele optou por um caminho arriscado que, no entanto, resultou em uma produção no qual o espectador embarca em uma história pessoal de paixão, dúvidas e questionamentos, arte e criação, alinhavada por imagens de arquivo sobre aquele período. Os tempos narrados por Leonilson são acompanhados por cenas que fizeram parte do seu imaginário e dos seus comentários.

“Além de mostrar algumas de suas obras, o documentário entretece o diário íntimo com imagens públicas ligadas a diversos temas mencionados nas gravações”, conta Nader, premiado no É Tudo Verdade, em 2014, com o filme Homem Comum. “São assuntos tão diferentes quanto o Plano Collor, a Guerra do Iraque, filmes de Wim Wenders ou Derek Jarman, novelas da Globo, a tragédia da Aids ou o reino pop de Madonna”, completa. Vale ressaltar, ainda, a presença de trechos de programas da televisão, como Família Do-Re-Mi, o noticiário do Jornal Nacional, em 1990 e 1992, a série Mico Preto e Perdidos no Espaço.

Nas gravações, Leonilson fala de seus trabalhos, de tristezas e alegrias, amores e desamores, medos, família e da homossexualidade. Um dia se descobre soropositivo, tema principal da última fase da sua vida.

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