A leveza, movimento e colorido da obra de Alexander Calder

© Foto cortesia: Calder Foundation, New York / Art Resource, New York © 2016 Calder Foundation, New York / AUTVIS, Brasil

© Foto cortesia: Calder Foundation, New York / Art Resource, New York © 2016 Calder Foundation, New York / AUTVIS, Brasil

Com curadoria de Luiz Camillo Osorio, e em parceria com Expomus e a Fundação Calder, conduzida pelo neto do artista em Nova York, a mostra Calder e a Arte Brasileira abre no Itaú Cultural em São Paulo e permanece aberta ao público até 23 de outubro, com aproximadamente 60 peças.

A exposição apresenta móbiles do artista norte-americano, além de alguns de seus guaches, maquetes, desenhos e óleos sobre tela, em diálogo com trabalhos de brasileiros que, nos anos 40 e 50, também embarcaram no caminho da arte cinética influenciando gerações até hoje. São eles: Abraham Palatnik, Lygia Clark, Hélio Oiticica, Willys de Castro, Judith Lauand, Lygia Pape, Waltercio Caldas, Antonio Manuel, Luiz Sacilotto, e, mais recentemente, Ernesto Neto, Franklin Cassaro, Carlos Belvilacqua, Cao Guimarães e Rivane Neuenschwander.

Calder ocupa lugar especial entre os escultores modernos, embora não gostasse de ser chamado assim. Foi pioneiro na criação de movimento nas esculturas: os móbiles formados por placas e discos metálicos, muitas vezes coloridos, unidos entre si por fios que se agitam tocados pelo vento, assumindo formas imprevistas.

Segundo Camillo Osorio, a poética de Calder, cujo rigor construtivo ganha tonalidade lírica, é uma referência para os artistas brasileiros, com quem tem relação estreita, porém ainda pouco afirmada. Existem obras suas em coleções brasileiras desde os anos de 1940, por meio das quais pode se seguir o rastro de sua influência na vanguarda do país. O movimento presente nos móbiles do norte-americano, por exemplo, está também na série de Bichos, de Lygia Clark, nos relevos espaciais dos parangolés de Oiticica e nos cinecromáticos de Palatnik.

Esta exposição busca evidenciar essa relação e a sua disseminação no imaginário artístico brasileiro, além de mostrar trabalhos cruciais da trajetória de Calder. “Apresentamos obras de alguns de nossos artistas que foram, direta ou indiretamente, marcados por ele”, diz o curador. Assim, surge no espaço expositivo do instituto uma constelação poética que orbita em torno do norte-americano – de Palatnik, Oiticica, Clark, Pape, passando por Waltércio Caldas e Antonio Manuel e chegando a Ernesto Neto e Franklin Cassaro.

Calder realizou a sua primeira exposição no Brasil no final da década de 1940. Passados 13 anos, participou da segunda Bienal de São Paulo (1953) deixando influências diretas no imaginário poético no país. Sua relação com os arquitetos modernos foi próxima. Também com o crítico de arte Mario Pedrosa, que teve posição determinante para que se realizasse uma retrospectiva de Calder no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em 1959. “A sua obra inscreveu-se na formação construtiva brasileira, misturando o lúdico e o geométrico e isso merece melhor avaliação histórica”, observa o curador. “É esta relação que pretendemos trabalhar nesta exposição.”

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