A controversa vagina de Kapoor

© Reprodução

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Uma exposição do artista anglo-indiano Anish Kapoor tem dado o que falar no Palácio de Versailles, na França. A razão não é apenas a magnitude das 6 obras expostas no espaço, o maior símbolo da realeza francesa cujos jardins têm se aberto para a arte contemporânea nos últimos anos. O verdadeiro motivo para a polêmica vem da possível fala do próprio artista sobre uma de suas obras: antes da mostra abrir ao público, Kapoor teria declarado ao “Journal du Dimanche” que “Dirty corner” (canto sujo), grande escultura de 2011 feita de aço enferrujado em forma de cone seria uma referência à “vagina da rainha que toma o poder”.

Apelidada de “A vagina da rainha”, a obra vem causando polêmica nas redes sociais desde a abertura da mostra, tendo sido, inclusive, alvo de vandalismo por manifestantes revoltados, que consideraram um insulto a declaração do artista. No dia 17 de junho, a obra foi manchada por jatos de tinta amarela. Rapidamente restaurada pelos funcionários do palácio, a escultura segue exposta, ainda que os clamores não se calem à sua volta. Políticos do partido socialista condenaram o ocorrido como um ataque à liberdade de expressão, dizendo que “inaceitável que a arte, bússola da liberdade, sofra por causa do obscurantismo de algumas pessoas”.

Assim como falou antes da agressão à sua obra, Kapoor não se calou após o ocorrido: em entrevista ao jornal “Le Figaro”, disse nunca ter usado as palavras a partir das quais a controvérsia foi originada, alegando nunca ter mencionado a palavra “rainha” em suas falas, e ter se referido apenas a “ela”, ou “dela”, para descrever uma forma que poderia ser feminina, deitada na grama como uma rainha egípcia ou uma esfinge”. O artista disse ainda que rotular a obra como “Vagina da Rainha” era uma forma de diminuir seu trabalho e insultar sua arte.

Apesar de ter se dito muito triste com o ocorrido e ter declarado que tal vandalismo foi uma “questão política” e que os vândalos representam “uma pequena fração de pessoas a quem foi dito que qualquer ato criativo é um comprometimento com um passado sagrado, reverenciado ao extremo”, o artista acredita em um lado benefico da situação: “Este vandalismo cego prova o poder da arte que intriga, incomoda, faz mover os limites. A coisa positiva desta agressão é que coloca em evidência a força criativa de um objeto inanimado”.

Incomodando ou não, com ou sem novas polêmicas, o fato é que a exposição segue até 1° de novembro.

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