Sótão do antigo Cine Theatro Brasil é transformado em espaço expositivo

© Divulgação

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O escritório de arquitetura Vazio S/A apresentou um projeto de intervenção no antigo sótão do Cine Theatro Brasil Vallourec, transformando o que hoje é um grande vazio arquitetônico entre o teto inclinado da plateia e a laje do salão em um espaço expositivo. A intervenção integra a exposição “Habitáculo“, entre 28/10 e 20/12, curadoria de Fabíola Moulin e Marconi Drummond e obras dos artistas e arquitetos O Grivo, Micrópolis, Nydia Negromonte e Wilson Baptista.

“Nosso projeto tem como objetivo ativar um lugar imaginário: o idiossincrático espaço contido entre as tesouras e o teto originais. Funcionando como um exercício de arqueologia estrutural, a proposta exalta o aspecto plástico das tesouras, realça o teto escalonado da plateia e recupera o telhado de duas águas do projeto arquitetônico original de 1930, de Alberto Murgel”, afirma Carlos Teixeira, arquiteto-diretor do Vazio S/A.

Detentor do título de maior cinema do país por alguns anos, o Cine Theatro Brasil foi construído em 1932 na Praça Sete, Centro de Belo Horizonte. Pesado e elegante a um só tempo, seu volume art déco marcava presença como um dos maiores edifícios da cidade, sendo que na década de 1950 outras esquinas da Praça receberiam dois prédios também emblemáticos: o Banco da Lavoura (Álvaro Vital Brasil, 1950) e o Banco Mineiro (Oscar Niemeyer, 1953).

O cinema entrou em decadência na década de 1990, ficou fechado por décadas e foi reinaugurado como centro cultural em 2013 como “Cine Theatro Brasil Vallourec”. Patrocinadora do espaço, a Vallourec restaurou o cinema e construiu um salão de eventos acima da plateia, o que gerou um grande vazio arquitetônico entre o teto inclinado da plateia e a laje do novo salão. Portanto, um dos quarteirões mais densos e simbólicos da cidade tem hoje um enorme vazio sem função, a não ser a de preservar a memória das tesouras de concreto armado que antes cobriam o edifício original.

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