OMA | Galeria tem programação interativa no Verão

© Divulgação

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“Faz sentido?”, “O que ele quis dizer com isso?”, “Com certeza é uma crítica”, são comentários comuns diante de uma performance artística. Isso porque é da natureza humana procurar compreensão onde nem sempre é possível desvendá-la por completo. Com essas, e outras, propostas a OMA | Galeria abre o calendário de atividades do ano e convida o público a acompanhar a segunda edição do Arte Performativa: corpo e espaço, durante os meses que contemplam o verão.

Com uma agenda de duas performances ao vivo, a primeira apresentação vai ser comandada pelo artista Renan Marcondes, que retorna ao espaço para apresentar a obra Objeto Indireto, no dia 29 de janeiro, às 20h. A ação, que também funciona como uma instalação, deve instigar os visitantes sobre o que é público e privado ao ter disponibilizado objetos pessoais, em uma mesa, que podem ser tocados, e até mesmo levados embora, caso sejam seguidas algumas regras disponíveis na parede do espaço. “Enquanto os objetos estão lá, supostamente eles não podem ser tocados, mas e se eles caírem no chão sem serem tocados diretamente com auxílio de uma espécie de taco? Minha ideia é que o público interaja comigo, seguindo as instruções e se apropriem de coisas lhe pareçam interessantes”, adianta.

Os objetos estarão disponíveis para visitação, e interação, entre os dias 30 de janeiro e 20 de fevereiro. Após a data, a artista Maíra Valente entra em cena com a performance Contenção e Transbordo. Aqui, a proposta é obter um posicionamento poético sobre a situação da água nos centros urbanos. Para isso, a artista inicia uma verdadeira imersão sobre a situação dos rios de São Bernardo do Campo, próximos à OMA | Galeria, por meio de pesquisa e conversa com antigos moradores sobre o tema. Ao instaurar uma relação direta com a paisagem, Maíra vai instigar o público a tomar parte de suas proposições performáticas de intervenção. “Já tenho o conceito da performance, mas ela vai tornar-se mais robusta durante minha pesquisa. A partir disso, vou criar algo exclusivo e único”, comenta. O período de captação de material vai até o dia 12 de março, data em que ela convida o público para participar da finalização da ação.

Segundo Thomaz Pacheco, galerista da OMA | Galeria, receber novos artistas e atividades que fogem à rotina do espaço durante este período tem diversas vantagens. “São outras vertentes e maneiras de se fazer arte, que o nosso público ainda está pouco habituado. Então, apresentar atividades que vão além de nossas exposições geram outras discussões e relações com a galeria e com a arte em si”, diz.

As atividades do Arte Performativa têm classificação livre e são gratuitas.

Mais sobre Objeto Indireto, por Renan Marcondes:

Objeto indireto é uma obra a ser performada pelo artista e/ou pelo público. Na forma de uma mesa de estudos repleta de objetos que confunde-se com um jogo de bilhar, o público é convidado a – sem tocar nos objetos – empurrá-los com varetas para fora da mesa, fazendo-os cair e tornarem-se públicos. A superfície da mesa e sua organização, um suposto discurso artístico imutável, passa a ser transformado e tornado, aos poucos, público. O artista, cuja pesquisa sempre se debruçou sobre a relação entre os objetos do mundo e o corpo humano, volta sua atenção aqui para os dispositivos institucionais que mediam nossa relação com determinados objetos denominados “arte”.

Entre os dias 29 de janeiro e 20 de fevereiro.

Mais sobre Contenção e Transbordo, por Maíra Vaz Valente:

Diante do urgente debate sobre a maior crise hídrica da região Sudeste, a artista Maíra Vaz Valente propõe um posicionamento poético acerca da situação das águas nos centros urbanos.

Percebe-se que as formas de ocupação e urbanização do território brasileiro frequentemente provocaram uma profunda cisão entre habitantes e o meio natural. Em tal processo, nascentes, afluentes e rios são retificados, canalizados ou soterradas para a construção de ruas, avenidas e grandes empreendimentos. As águas foram consecutivamente tomadas como entraves para o progresso das cidades, provocando, assim, uma irresolúvel crise ambiental ao longo das últimas décadas. Em “Contenção e Transbordo” a artista irá em busca da situação dos rios de São Bernardo do Campo próximos à OMA Galeria. Ao instaurar uma relação direta com a paisagem, Maíra Vaz Valente irá propor ações em diálogo com e no entorno, instigando seu público a tomar parte de suas proposições performáticas de intervenção.

Entre os dias 23 de fevereiro e 12 de março.

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