Natureza morta na Galeria Marcelo Guarnieri

© Maurício Froldi

© Maurício Froldi

A mostra coletiva irá explorar os aspectos encontrados na produção de seis artistas que tratam do gênero Natureza-morta. A mostra não se trata de um compêndio de artistas que trabalham ou trabalharam com o tema, mas um recorte específico dentro da produção de Ana Sario, Eleonore Koch, Flávia Ribeiro, Gabriela Machado, Iberê Camargo e Masao Yamamoto.

Através da interseção de práticas diversas – pintura, desenho, escultura e fotografia, é exibido alguns caminhos e interpretações a partir da tradição pictórica.

A exposição se inicia com Iberê Camargo (1914 – Restinga Seca, RS, Brasil / 1994 – Porto Alegre, RS, Brasil) e seu interesse por objetos prosaicos – carretéis e dados – que aparecem nas obras do artista como o elemento central, tudo gira em torno dessa busca em esgotar a imagem, de trazer para o plano a memória de infância e dar aos objetos um previlégio de existência. No mesmo sentido, Eleonore Koch (1926 – Berlim, Alemanha) toma como assunto prosaicas estruturas contemplativas – vasos, flores, mesas, cadeiras – a artista sacraliza tais narrativas, com bem coloca Theon Spanudis em correspondência com a artista: “(…) Eleonore sacraliza os objetos de uso diário. Contra a nossa mania profana de usar tudo como objeto de imediato consumo, ela reganha para o simples objeto sua dimensão sacral. Os amplos espaços sensíveis (que não são os espaços vazios e mortos dos matemáticos e cientistas), fazem parte integral de sua intenção de ressacralizar o objeto perdido no fluxo constante do consumo mecânico. Uma secreta poesia emana dos seus coloridos, objetos, configurações estranhas e seus espaços amplos e humanos.”

Flávia Ribeiro (1954 – São Paulo, Brasil) apresenta esculturas da série “Campos de acontecimentos e aproximações”, onde objetos de madeira e de bronze banhados a ouro são dispostos em cima de mesas de gesso. Uma composição onde a ordenação se dá pelos conjuntos de materiais com pesos, formas e funções díspares, todo o conjunto se aproxima de um desenho concebido no espaço, quase como um campo lunar.

Ana Sario (1984 – São Paulo, Brasil) exibe uma série de pequenas pinturas a óleo produzidas nos últimos meses, a escala diminuta do trabalho aproxima o espectador da imagem. A artista retrata com pincela espessa um universo prosaico e interiorano – pato, árvore, varal, casa – há um embate entre a cena retratada e a matéria densa da tinta. As pinturas se apresentam como frames de uma cena panorâmica.

Gabriela Machado (1960 – Joinville, SC, Brasil) tem realizado nos últimos anos esculturas em porcelana que, paralelo a produção pictórica, tem colocado seu interesse pela natureza em outros materiais e formas de execução. Também é exibido uma série de colagens em que diversos tipos de papéis são sobrepostos a recortes de jornais e revistas que, por fim, ganham pinceladas de tinta acrílica e jatos de spray coloridos, dando vivacidade aos trabalhos.

Masao Yamamoto (1957 – Gamagori, Japão) tanto na série “A Box of Ku” quanto “Nakazora”, o ordinário sempre se revela como algo de extrema importância e a partir de um olhar não ocidental que é captado pelo artista numa atmosfera cotidiana que normalmente escapa a todos. Suas imagens são expostas as ações externas, em muitos casos o artista carrega em seu bolso as pequenas fotografias, com esse deslocamento o papel fotográfico sofre alterações: manchas, rasgos e vincos. As imagens têm seu tempo dilatado, um álbum construído com personagens e cenas de uma memória coletiva e em envelhecimento provocado.

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