Piza em seu ateliê em Paris

DASARTES 35 / ,

Arthur Piza – Ateliê do Artista

ATELIÊ DO ARTISTA Arthur Luiz Piza FOTOS E ENTREVISTA: SYLVIA CAROLINNE Produção plena, organização parisiense, alma brasileira. Pouca cor na arte, mas muita na alma deste inventor de 86 anos. Como começou sua carreira artística e quando resolveu vir para Paris? Já faz muito tempo. O que me fez entrar nas artes quando eu era […]

ATELIÊ DO ARTISTA

Arthur Luiz Piza

FOTOS E ENTREVISTA: SYLVIA CAROLINNE

Produção plena, organização parisiense, alma brasileira. Pouca cor na arte, mas muita na alma deste inventor de 86 anos.
Como começou sua carreira artística e quando resolveu vir para Paris?
Já faz muito tempo. O que me fez entrar nas artes quando eu era menino foi Van Gogh. Ganhei um livro desse artista e eu ficava copiando. E, desde então, queria muito vir à Europa, para conhecer e também para aprender gravura em metal, já que no Brasil tínhamos muito xilogravura, mas pouco metal. No início, fiquei muito atraído pela Itália, mas havia a guerra naquele tempo, pontes destruídas, passava-se frio dentro dos museus. Fiquei um tempo aqui, comecei a fazer gravura com o Johnny Friedlaender, que foi uma figura muito importante, tanto pelo ensinamento da gravura quanto no sentido cultural e artístico mais amplo. Depois voltei ao Brasil e levei uma prensa de gravura, mas as coisas não deram certo e eu e minha mulher preferimos voltar para cá.
E não voltou mais ao Brasil?

Quisemos no início, mas então houve o golpe em 1964 e desistimos. Já era outro Brasil. Esta coisa terrível foi útil, em certo sentido, para vermos um Brasil maior. As pessoas que fugiam ou queriam escapar eram do Brasil inteiro, não só o paulista. Antes era tudo muito regional.

Como funciona seu processo criativo?
São muitas pesquisas, uma coisa se liga a outra. Isso para mim é muito importante, excita-me, mexe com a cabeça e é uma maneira de provocar o que já foi. Eu não sou determinadamente de uma época, mas uma mistura: pego coisas lá de trás e depois lá da frente. Imagino que com a maioria dos artistas seja assim. Os meus desenhos, eu começo sempre dos olhos, depois vem a figura, e não corrijo. Quando algo sai como não deveria, crio outra coisa. É muito interessante a forma como este processo se passa na cabeça, gera outras intenções.

Como funciona a rotina do ateliê?
Eu venho de manhã. É quando estou mais lúcido e vêm as ideias, a criação. A tarde reservo para resolver as coisas. Tenho dois rapazes que me ajudam. Continuo com minhas exposições e estou muito contente.

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