Inauguração da Galeria Teste – Exposição “Olhares”, fotografias de Vincent Rosenblatt

1pj_7412-olhares-vincent-rosenblatt-galeria-teste

Galeria Teste
Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2
016.
VINCENT ROSENBLATT
“ OLHARES”
Fotografias selecionadas das séries “Rio baile funk”, “Tecnobrega – O culto das aparelhagens” e “Bate-bola – Rio Carnaval Secreto”. (2005/2016)
Lá no alto do morro, rodeado das mais belas vistas da cidade do Rio de Janeiro, música e dança vibram em uma loucura contagiante. É a festa funk que
nasce dos sons mesclados do Miami Bass e dos tambores Africanos, pulsando através de verdadeiras muralhas de caixas de som. No seu próprio ritmo e bal
let exclusivo, o baile flui noite afora.

“Quando morava em Santa Tereza dava para ouvir o grave dos baixos da música vinda do baile do morro Santo Amaro, soava como “Trombetas de Jericó”
contemporâneas. Um dia não resisti, peguei um táxi e fui a um baile funk na zona Oeste, por sorte os donos me autorizaram a fotografar.”
A partir dessa noite Vincent descobriu um outro Rio, ganhando convites em cada baile para ir aos bailes em outras favelas e periferias, longe das praias e
da zona sul; um outro universo. Ele então não parou mais essa imersão nos tão controversos bailes cariocas, foi alcançando imagens sob uma outra perspecti
va. E as registrou poeticamente, imagens que surpreendem pela forma viva e sensual que as veste.
Com sua câmera, Vincent penetra a olhos fundos e nos presenteia com cenas intensas de uma cultura cruzada, pouco conhecida pelos olhos da sociedade
do «asfalto», porém fascinante.
Essa exposição é uma mostra de uma cultura que faz muita gente trabalhar e ser feliz, cuja importância e significado vão bem além da festa. “Uma catarse
coletiva” de grupos de jovens em noites de folga. Porque o baile é a maior manifestação social dos morros.
“Os DJ’s, MC’s, dançarinos e donos dos bailes me abriram as portas porque entenderam que eu estava ali não para denunciá-los, e sim testemunhar a be-
leza dos dançarinos,do povo e da força da cultura local. Muitas vezes, como numa troca, eles utilizam minhas fotos nas redes sociais, «remixam» as minhas
fotos em suas produções » E com uma perfeita reprodução dessas imagens Vincent nos brinda com homens e mulheres que se entregam, exalando poder e desejo de viver.
Vincent já virou mais de 400 noites em bailes no Rio de janeiro, ao longo de uma década. A maioria desses bailes já não existe mais, tendo sido proibidos.
Também fazem parte da exposição algumas fotografias do carnaval da Zona Norte, de Madureira, Marechal Hermes, Guadalupe… “Bate-bola-Rio Carnaval
Secreto” cuja trilha sonora é quase sempre “o batidão”. O Carnaval indomável das turmas de «Clovis». E há também fotografias de outra série – o equiva
lente nórdico dos Bailes Funk cariocas: o “Tecnobrega – O culto das aparelhagens”, de Belém do Pará, outro canteiro de trabalho do Vincent.

Flávia Tamoyo
Curadora

Compartilhar: