Valdir Cruz | Conjunto Nacional

CRUZ_21, 9/14/16, 8:20 AM, 16G, 5952x6308 (1068+2794), 100%, Custom, 1/40 s, R42.6, G28.0, B37.3

O livro “Retratos de Afeto” será lançado dia 16 de maio, a partir das 19h, com exposição de 30 imagens no Conjunto Nacional, em São Paulo. O projeto celebra os 55 anos de existência do hospital do câncer de Barretos.

“Através da fotografia podemos ampliar, mesmo que momentaneamente, nossa existência na vida dos outros”. Essa é uma das máximas defendidas pelo filósofo Vilém Flusser e que talvez traduza em poucas palavras a sensação de quem acaba de folhear as páginas do livro Retratos de Afeto, do fotógrafo Valdir Cruz, que será lançado, com exposição no Conjunto Nacional, em São Paulo, no mês de maio. Ao todo estão 82 imagens, dípticos e trípticos, e 25 histórias de pessoas com câncer em tratamento no Hospital de Câncer de Barretos (HCB), no livro dividido em dois: livro I (retratos e relatos) e livro II (histórico do HCB).

Para este projeto, o fotógrafo viveu intensamente entre 2012 e 2015 pelos corredores e vidas daqueles que ali enfrentam uma batalha todos os dias. “Antes de encarar o projeto, fiquei pelo menos um ano absorvendo aquele universo de uma forma que nunca imaginei. Depois de três semanas já fotografando eu percebi que as entrevistas eram a chave do projeto. Cheguei a conhecer mais de 100 casos, eram idas e vindas, e reencontros anos depois de pessoas que voltavam apenas para a consulta de rotina e outras com a doença voltando em outras partes/órgãos do corpo”, conta Valdir.

Depois de se embrenhar na Amazônia, adentrar cavernas e buscar a imagem ideal em seus mais de 35 anos como fotógrafo, Valdir Cruz tinha como objetivo neste projeto buscar darconsistência conceitual às imagens, que poderiam ser encontradas em quaisquer espaços de saúde no Brasil ou mundo afora. “De modo consciente e responsável, no sentido ontológico, procurei que cada pessoa, e não personagem, pudesse ver-se representada tanto estética como historicamente”, diz ele.

O livro é bílingue, com a versão em inglês ao final, e foi pensado em duas partes, uma com as fotografias e histórias colhidas, com texto de apresentação de Rubens Fernandes Júnior e outra com o texto que conta a história do hospital desde a sua fundação, por Jimmie C. Holland e Luiz Maffei e posfácio de Henrique Prata Filho.

Para além do registro fotográfico, o projeto se apropria do real para pensar grandes questões humanas, como o valor da existência, a luta pela sobrevivência, a autoanálise sobre a própria relevância de ser ou não ser. “A fotografia como meio de investigação torna-se aqui um grito silencioso. Não quer se exibir como tragédia, mas busca conscientizar e transformar o receptor”, escreve Rubens Fernandes Júnior no prefácio. “O registro imagético extrapola a lente, o papel, e transita pelas palavras, envolve-se com as histórias, é narrador, é personagem, é autor de si e da história”, completa Valdir.

55 anos

O Hospital do Câncer de Barretos, reconhecido por dar “atendimento de rico a pacientes pobres do SUS”, nasceu em 1967 e hoje se concretiza com 6 mil atendimentos/dia, 100% gratuitos. São unidades nas cidades de Barretos (SP), Jales (SP) e Porto Velho (tratamento); Fernandópolis (SP), Porto Velho (RO), Ji-Paraná (RO), Campo Grande (MS), Nova Andradina (MS) e Juazeiro (BA) (prevenção); Campinas (SP), Macapá (AP) e Lagarto (SE) (projetos em andamento). Novas parcerias estão sendo fechadas em Rio Branco (AC) e Palmas (TO). Números de 2016: 829.081 atendimentos realizados a 151.883 pacientes, vindos de 2.032 municípios e distritos de todos os estados brasileiros.  Estes números englobam todos os pacientes, sejam crianças, adultos ou idosos. A instituição gasta R$20 milhões por mês. Parte dos recursos para financiar o hospital provem de artistas da música popular brasileira, atores, apresentadores de TV, entre eles, Chitãozinho e Xororó e Xuxa. E também de muitos eventos e festas pelo país, como a conhecida festa do peão boiadeiro de Barretos.

VALDIR CRUZ é brasileiro radicado em Nova York e é conhecido pela qualidade e tonalidades quase tácteis de suas fotos em gelatina de prata, platina e paládio. Com cerca de 35 anos de carreira, Valdir teve dezenas de exposições, além de imagens nos acervos e coleções de importantes museus e fundações, como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), o Museum of Modern Art (MoMA), de Nova York, e o Smithsonian Institute, em Washington, D.C.. Seu principal representante nos Estados Unidos é a galeria Throckmorton Fine Art, em Nova York, e no Brasil, a Bolsa de Arte de Porto Alegre. Em 1996, conquistou bolsa da Fundação Guggenheim para desenvolver o projeto de uma expedição mais prolongada na Amazônia, o que deu origem ao livro Faces of the Rainforest  – The Yanomami (powerHouse Books, 2002), com lançamento e mostra fotográfica na renomada galeria Throckmorton Fine Art, Inc., NYC, garantindo uma página no New York Times (Oct-20/2002). A versão em português – Faces da Floresta – Os Yanomami – foi editada pela Cosac Naify/2004. Valdir Cruz também publicou Catedral Basílica de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais (Brave Wolf Publishing, 1996), O Caminho das Águas (São Paulo: Cosac & Naify, 2007), com patrocínio da Fundação Stickel; RAÍZES – Árvores na paisagem do Estado de São Paulo (São Paulo: Imprensa Oficial, 2010) e BONITO – Confins do Novo Mundo (Rio de janeiro: Capivara Editora, 2010); com patrocínio do BNP Paribas, e GUARAPUAVA (Sao Paulo: Terra Virgem Edições, 2013); com patrocínio de Banco Mizuho do Brasil S.A., e Caminhos do Paraná S.A.

www.valdircruz.com

 

Compartilhar: