Suzana Queiroga | Museu Nacional de Belas Artes

Suzana Queiroga_Topos_Foto Beto Felicio

A artista plástica Suzana Queiroga inaugura exposição individual no Museu Nacional de Belas Artes, com obras que poderão ser tocadas pelo público e foram pensadas especialmente para as pessoas com deficiência visual, mas poderão ser sentidas por todos. A exposição comemora os dez anos do Projeto “Ver e sentir através do toque”, do MNBA. 

A artista criou, especialmente para a exposição, um grande mapa vermelho, de 3,5 metros, em tecido, que ficará no chão do Museu e poderá ser tocado e sentido pelo público. A artista tem uma longa pesquisa ligada à cartografia e nesta obra se volta para a cartografia do centro do Rio, onde está localizado o Museu, com suas ruas e avenidas. Suzana Queiroga escolheu propositalmente a cor vermelha, pois, para ela, há uma ligação entre a cartografia e o corpo humano. “Existe uma afinidade entre o sistema do corpo, as articulações e o sistema venoso com a cartografia”, afirma. Uma versão menor desse mapa estará na parede. “É uma versão de mão, em que as pessoas farão o reconhecimento dessa área em uma outra escala”, explica a artista. Na exposição serão apresentados, ainda, dois relevos de parede, da série Topos, de 2007, feitos em gesso, com elevações arredondadas que poderão ser sentidas pelo público, deficiente visual ou não.

Completando dez anos de criação,  o projeto “Ver e Sentir através do toque” do Museu Nacional de Belas Artes, voltado para a  acessibilidade e a sustentabilidade,   inaugura uma nova fase:  o foco agora se volta para a arte contemporânea.

Nesta nova etapa a convidada é a artista visual Suzana Queiroga, integrante da famosa Geração 80 do Parque Lage, cuja exposição integra a 15ª Semana dos Museus,  promovida pelo IBRAM.

Um dos destaques da mostra é a obra  “Topos”, um relevo em gesso doado em 2009 ao MNBA,  produzida já com a intenção de participar de um projeto educativo,  no qual a relação com a obra pudesse ser estimulada a partir da percepção tátil.

O trabalho  “Topos” será ambientado num novo contexto, onde a percepção visual pode ser minimizada e outros sentidos precisam ser ativados, o relevo, junto a outras obras, ganha novas dimensões e um espaço ampliado. Em um ambiente com pouca iluminação e sem informação textual, pretende-se  acionar outros sentidos, que as cores ganhem som, cheiro, textura, sentimentos e sensações.

“É um caminho a ser percorrido com o corpo, onde o tempo é ativado e uma narrativa se inicia. Aqui, dar espaço aos outros sentidos é uma oportunidade singular de reaprender o mundo”, explicam os curadoes Daniel Barretto,  Simone Bibian e Rossano Antenuzzi,  todos técnicos do Museu Nacional de Belas Artes/Ibram/MinC.

Paralelamente,  haverá uma mesa-redonda com a artista e seus convidados, discutindo o tema da ciência e arte,   incluindo a participação de uma neurocientista.

Iniciado em 2007, o projeto previu a possibilidade do toque em reproduções em baixo relevo e algumas maquetes, feitas a partir do acervo artístico do museu, de obras especialmente selecionadas para este trabalho. O objetivo foi possibilitar a experimentação estética e o conhecimento sobre história da arte e processos artísticos, tornando-os acessíveis às pessoas cegas e com baixa visão, de forma a democratizar o acesso à cultura.

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