Sandra Gamarra | Galeria Leme

Sandra Gamarra, El marco del paisaje II, 2015.

Sandra Gamarra, El marco del paisaje II, 2015.

A Galeria Leme apresenta em seu espaço a quinta exposição individual da artista Peruana Sandra Gamarra. Apesar de usar a pintura como eixo central do seu trabalho, a obra de Gamarra parece constantemente contradizer e subverter aquilo que é esperado deste suporte bidimensional que muitos consideram ultrapassado e esvaziado. Para a artista, expor as suas peças é apenas o ponto de partida para ressignificar o formato em que trabalha e o espaço em que a sua obra é experienciada. Como construtora de imagens em um mundo em que estas se multiplicam constantemente, Sandra Gamarra as recicla e reincorpora para investigar as suas origens e especular sobre seu possível destino.

Para a exposição “Paisagem entre Aspas” a artista revisita o gênero de paisagem, característico da pintura, através da apropriação de fotografias de paisagens Peruanas e Brasileiras publicadas na imprensa e de reproduções de obras de arte de diferentes períodos. Através da justaposição de diversas fontes imagéticas a artista não só subverte e re-significa um gênero que caiu numa profunda obsolescência, mas também questiona o papel histórico e sócio-político deste tipo de representação da natureza e do território. Por outro lado, Gamarra cria uma interseção entre a forma de representação da natureza a partir do ponto de vista do Ocidente, e uma outra particular às culturas pré-colombianas, herança ancestral de seu país natal, o Peru.

A pintura de paisagens foi sempre mais do que uma forma de entender e registrar as especificidades de um determinado lugar ou meio através do qual o se tentam reproduzir as forças sublimes da Natureza. Tal como o mapa, a representação da paisagem serviu e serve para editar e re-enquadrar o real a partir da perspectiva dos sujeitos que a elaboram. Desta forma, à representação, a priori objetiva, de algo existente, é imposta uma lógica humana externa, que deforma e domestica o real, moldando-o segundo as crenças, desejos, e intenções do Homem e deturpando a “objetividade” de tal ferramenta de registro. A partir desta perspectiva, a paisagem nunca é uma representação fiel, mas um reflexo subjetivo do indivíduo que lhe deu forma assim como de seu contexto social e suas aspirações ideológicas.

Desta forma, as “paisagens” que Sandra Gamarra coloca entre aspas jogam com a justaposição de diferentes tempos e noções de História, história da arte, autobiografia e imaginação como meio para reconsiderar um conjunto de relações sócio-políticas responsáveis pela formação do corpo social e pela estruturação física do espaço que lhe corresponde. Indagando também sobre a forma como a paisagem tem sido instrumentalizada e confinada à ação do homem e quais as repercussões que tal situação causa na nossa relação com o entorno e nos nossos modos de pensá-lo e entendê-lo.

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