Paulo Otavio | Andrea Rehder Arte Contemporânea

Obras de aço carbono que exploram as formas geométricas primordiais, como círculo e triângulo. Elaboradas com volumes fortes e expansivos nas primeiras, sutis e precisos nas mais recentes. São esculturas que, mesmo estáticas, transmitem a sensação de movimento e geração de energia.

Paulo Otavio iniciou as primeiras experiências com chapas de ferro há dez anos. Foi a possibilidade de transportar a linguagem geométrica do design gráfico para o tridimensional. Prática inegavelmente influenciada pelo construtivismo russo, de stijl e neoconcreto, movimentos artísticos que também têm estreita relação com o design gráfico. Outras referências são as teorias geométricas, a exemplo das majestosas contribuições de Euclides, Pacioli e Fibonacci.

No decorrer desse percurso, a busca sempre foi por uma poética própria.Nas peças atuais, a essência da forma pura se apresenta em suaves e precisos volumes. É geometria combinada, construída, harmônica.

Formas geométricas são, também, representativas da relação entre o humano e o divino. Um ponto central se expande, torna-se círculo, que tem a propriedade simbólica da homogeneidade, da perfeição, do Todo.O círculo é também análogo ao tempo, o que gira, o cíclico. O triângulo, por sua vez, simboliza equilíbrio e a tríade básica de diversas religiões. Ao girar um triângulo pelo vértice, forma-se o cone. É círculo e triângulo. É curva e reta na dualidade de opostos complementares.

Objetos em movimento circular geram energia. Uma obra que, mesmo em repouso, sugere movimento, está impregnada de energia. Existe algo nessas obras prestes a ser emitido. Está ali, contida, e se expande ao olhar do espectador.

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