Ocupação Glauco | Itaú Cultural

Entre as duas centenas de obras encontram-se na Ocupação Glauco esboços de personagens, HQs e fontes, rabiscos, charges, tirinhas, desenhos – finalizados ou não – personagens conhecidos, outros nem tanto. Também quadrinhos só feitos a lápis ou finalizados a nanquim, inteiros, ou em parte, para montagem posterior, muitos deles com anotações e bilhetes. Tudo faz parte do acervo guardado por Beatriz, centenas de originais acumulados em mais de 30 anos de trabalho, iniciado com a primeira publicação no jornal Diário da Manhã, de Ribeirão Preto, em 1976.

Além dos originais, a exposição apresenta muitas tiras e charges impressas, exemplos da montagem manual da diagramação da revista Geraldão, editada quando ainda não havia computadores, e exemplares da revista, contemplando o processo completo de criação de uma história em quadrinhos.

Ela conta também com ferramentas de acessibilidade, como um mapa tátil e audioguias que descrevem os personagens e as tirinhas. Em algumas delas, o personagem é reproduzido em relevo e a sua descrição em braile.

O percurso pela mostra começa com as criações do cartunista de braços e pernas multiplicados, marca registrada do autor, e presentes nos originais de Geraldão e Geraldinho apresentados em placas deslizantes e estilizados tridimensionalmente em bonecos feitos de arames. Destacam-se também outros como Dona Marta, Zé do Apocalipse, Doy Jorge. Alguns dos desenhos, os mais ousados, só podem ser vistos por meio de um buraco de fechadura – referência à capa da primeira revista do Geraldão, em que o personagem espiava a mãe no banheiro.

A sátira glauconiana à situação política do país, da abertura política ao segundo mandato de Lula, está fartamente representada em sua produção e um nicho focado no tema ganha espaço na Ocupação. Incluem-se aqui desenhos variados, que ele fez quando o Brasil se abria para a democracia. Satirizam figuras da política brasileira, como os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso, e outros políticos daquela época. Paira sobre a produção uma atualidade desconcertante.

Mais de 100 metros quadrados abrigam essa Ocupação, arquitetada em um espaço diáfano que toma partido do papel vazio onde o artista rabisca e as obras ganham vida saindo do rolo de papel de desenho. Ao fundo há um nicho dedicado aos principais relacionamentos do cartunista, com depoimentos em vídeo de alguns deles, como o seu irmão Pelicano, de mesma profissão. Não faltam referências a Angeli e Laerte, com quem Glauco produzia a série de HQs Los 3 Amigos. É lembrado, ainda, o tempo em que ele dividiu moradia com outros dois cartunistas, Nilson Azevedo e Henfil – este último um dos desenhistas que mais influenciou Glauco em seu início de carreira. O público também tem à disposição, para manusear, revistas que Glauco ajudou a criar e abrigaram seus quadrinhos.

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