"Pingo Enxuto". Poema e caligrafia de Walter Silveira. Fotografia/Montagem de Fernando Laszlo

"Pingo Enxuto". Poema e caligrafia de Walter Silveira. Fotografia/Montagem de Fernando Laszlo

Poesia e fotografia vêm do mesmo berço. Em sua origem, no grego, as palavras significam “fazer” e “escritura da luz”, respectivamente. Esses dois conceitos e expressões artísticas voltam a se encontrar pelas mãos dos artistas Arnaldo Antunes, Fernando Laszlo e Walter Silveira na mostra “Luzescrita”. São cerca de 60 obras, entre vídeos, objetos, fotografias e instalações, que transformam poemas em imagens e versos em luz.

O projeto nasceu no início dos anos 2000, a partir de uma ideia do Fernando Lazlo em traduzir literalmente a palavra fotografia através dos poemas de Arnaldo e Walter. Primeiro, as palavras foram escritas com luz por meio de materiais como pólvora, lâmpadas e metal. Em seguida, foram fotografadas por Fernando, completando a metamorfose.

Luzescrita é resultado de um trabalho de 15 anos e foi apresentada pela primeira vez em Salvador. Já passou por cidades como Curitiba, Rio de Janeiro, Brasília e Vila Nova de Cerveira, em Portugal e agora culmina em São Paulo, cidade natal dos artistas. Inicialmente, o resultado dessa parceria seria apenas um livro de fotografias. Mas o curador Daniel Rangel viu o potencial de transformar o projeto em uma mostra, que revela também os bastidores por trás das imagens.

A cada montagem, a exposição é diferente, numa contínua transformação. É um projeto que se retroalimenta: os objetos produzidos para cada exibição dão origem a novas fotografias para a etapa seguinte do percurso, e assim por diante. Em São Paulo, Luzescrita chega ao auge com a adição de nove obras inéditas, como a instalação “Assombraluz”, a fotografia “Fogo n’Água” e várias obras site specific, que exploram a relação com o ambiente, como “Ilumina Elimina” e “Luz Negra”.

Os trabalhos são apresentados em duas salas complementares. Em uma delas, a Sala Clara, com as paredes totalmente brancas e cheia de luz, estão expostas as fotografias. À primeira vista, há uma sensação de que as imagens sejam manipuladas digitalmente, ou feitas inteiramente no computador. No entanto, essa impressão se dissipa na Sala Escura, pintada de preto e com iluminação controlada, que desvenda todo o rico processo por trás das obras da primeira sala. Ali é possível ver os objetos e instalações de luz feitos por Fernando a partir de muita experimentação e o contraste entre o produto tecnológico e os procedimentos artesanais.

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