Julia Kater | Galeria de Arte Ibeu

"Acordo" tem a forte presença da linguagem do recorte

"Acordo" tem a forte presença da linguagem do recorte

Recém-aberta em novo espaço no Jardim Botânico, a Galeria de Arte Ibeu irá inaugurar a individual “Acordo”, de Julia Kater, artista francesa radicada no Brasil que foi selecionada através do edital do Programa de Exposições Ibeu. A mostra – que é a segunda feita na nova sede – é composta por uma instalação contendo som e um vídeo elaborado a partir de fotos feitas por Julia, e projetado em grande formato. O texto crítico é assinado por Julia Lima, curadora independente que fez parte do Núcleo de Pesquisa e Curadoria do Instituto Tomie Ohtake.
O vídeo “Acordo” trata do encontro de dois elementos no espaço, dando origem a um novo território, uma espécie de zona de acordo capaz de extravasar os limites e demarcações antes impostos. Segundo Julia Kater, a montagem tem a forte presença da linguagem do recorte, uma vez que os elementos e territórios, em cinza, surgem a partir de uma área comum entre as nuvens, como se fossem áreas de acordo que dão origem a um novo território.
“Essa área surge a partir da sobreposição de duas imagens, que são sempre nuvens em diversas formas, remetendo a algo cartográfico. Quando fiz este vídeo, parti das fotos que tinha de nuvens, e depois fiz animação dando movimento a elas, mas são fotos. Pensei na origem dos territórios, como estes partem sempre de acordos ao longo da história. Achei que a imagem da nuvem é um ótimo elemento para mostrar o quanto estes acordos são efêmeros e frágeis, já que eles estão em constante movimento, se refazendo o tempo todo”, analisa a artista.
“Acordo” é uma montagem de imagens em movimento, retratando céus que se esbarram e se justapõem, estruturando zonas de arranjo que acomodam as sempre mutáveis e impositivas linhas que desenham um território. Para a curadora Julia Lima, a aleatoriedade das composições do vídeo gera um duplo entendimento: de um lado, a dimensão política de acordos de poder que estabelecem fronteiras e, de outro, a existência de uma latente fragilidade dos relacionamentos entre pessoas.
“É impossível não se perder nesses territórios estranhamente familiares, experiência que é potencializada pela trilha sonora ansiosa, de ruídos cheios de suspense que parecem reproduzir a vibração da terra ou o correr do vento. Os longos graves monotônicos (que poderiam ter saído de uma composição de John Cage ou Stockhausen) sustentam um clima de tensão e potência, em uma expectativa quase cinematográfica que nunca chega a se revelar”, afirma Julia Lima.

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