João Magalhães e Jozias Benedicto | Museu da República

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Na contramão da falta de incentivos na área cultural, o Museu da República, no Catete, segue renovando a agenda com duas exposições de artistas renomados. Com curadoria de Isabel Sanson Portella, serão apresentados os novos trabalhos de João Magalhães e Jozias Benedicto, na Galeria do Lago e no Coreto, respectivamente.

Após um hiato de sete anos sem expor individualmente, João Magalhães lança seu olhar questionador com a exposição Pinturas, ocupando a Galeria do Lago.  O preto, branco e cinza roubam a cena em composições mínimas que dialogam sempre com o vazio e os limites do suporte. Nas telas, João deixa impreterivelmente os vestígios de suas pinceladas, tentando sempre situar-se num momento anterior, no como esse objeto pode constituir-se em pintura.

Jozias Benedicto pensou como uma performance site-specific para o Coreto, nos jardins do Palácio do Catete. No dia 26 de agosto, a atriz Dalila Duarte encarna o papel de noiva, fazendo sua marcha pela aleia que vai até o Chafariz, no caminho principal.

“Na maioria dos ritos de passagem a água tem papel relevante, e no casamento pode ser entendida como uma purificação, uma lavagem e preparo para um novo momento da vida”, explica o artista, colocando a figura da noiva de branco no centro das atenções. Muda, ela interage com os espectadores silenciosamente enquanto seu véu de 30 metros penetra numa máquina de escrever, tal qual papel em branco. Aos poucos, vai sendo arrastada para dentro da máquina onde o artista escreve seu texto, indiferente ao que acontece. Quando o véu já está quase todo escrito, a noiva é finalmente “libertada” pelo FIM.

“Tendo Marcel Duchamp, um dos precursores da arte conceitual, como referência, sua obra ‘O grande vidro’ ou ‘A noiva despida pelos seus celibatários, mesmo’ – que inspirou o nome da intervenção -, Jozias Benedicto faz sua própria leitura, resultando numa performance bastante reflexiva”, afirma Isabel Portella.

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