Jeito de Corpo | Espaço Paulista de Arte

Thiago Borba, Paraiso Oculto, 2017

A exposição “Jeito de Corpo”, dos fotógrafos baianos Caroline Lima e Thiago Borba nasce da observação da maneira de mover-se dos baianos, sobretudo do corpo negro, e é composta por 14 fotografias que desenham os movimentos do corpo sobre o cotidiano, representando o modo de vida do ensolarado e cheio de ritmo estado brasileiro. A mostra acompanha texto curatorial do escritor Marcelo Ariel. No vernissage acontece um happening em homenagem à Bahia, com DJ-set do bloco carnavalesco Tarado Ni Você e culinária baiana assinada pelo Tabuleiro da Lua.

A mostra é composta por 14 imagens inéditas que se debruçam sobre o movimento espontâneo corporal para revelar uma anatomia de formas esculturais. O trabalho apresentado pela fotógrafa Caroline faz parte do seu projeto “Recortes”, no qual ela se insere nos micro-universos baianos em busca de movimentos genuínos. São imagens onde se pode enxergar o devir: corpos que parecem esperar por algo que está por vir. Por meio de poesia, simetria e beleza, a série clicada com Iphone 6 representa o cotidiano de crianças na praia, do pescador no trabalho e da fé nas religiões afro-brasileiras.

Já Borba participa com duas séries. Em “Corpo Presente”, ele que retrata a potência e a presença do corpo negro de maneira meticulosamente dirigida, colocando-o em posição de enfrentamento com o espectador e impondo a força da raça negra. Na na série “Paraíso Oculto”, o fotografo aborda a origem de uma raça em seu habitat natural – a paisagem exuberante da mata atlântica e tropical brasileira, remetendo a uma versão contemporânea e brasileira de Adão e Eva ou Erus, como preferir. As folhagens da planta “Costela de Adão” servem como pano de fundo para essas imagens, trazendo um pouco da simbologia dessa origem a partir da potência da sua beleza, beleza essa pouco reconhecida e cultuada na cultura eurocêntrica que nos foi imposta.

A mostra “Jeito de Corpo” utiliza a delicadeza formal do cotidiano baiano, a anatomia dos corpos e suas formas esculturais com o objetivo de fortalecer a identidade negra, partindo da estética natural da geografia corporal das pessoas negras e do povo baiano, com intuito de contribuir para reflexões, ações e ensino em torno de temas como: identidade, corpo negro, raça, relações ético-raciais, arte negra, representatividade, racismo e desconstrução da normatividade. Esses comportamentos, esses jeitos, esses corpos são portadores de memória, da historia e da herança de seus antepassados africanos, portadores de signos expressos da cultura baiana.

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