Itinerância: 13ª Bienal Naïfs do Brasil “Todo mundo é, exceto quem não é” e “Evidências” | SESC Belenzinho

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O Sesc Belenzinho, em ação inédita de parceria com o Sesc Piracicaba, traz para a capital paulista a primeira itinerância da Bienal Naïfs do Brasil, evento sediado em Piracicaba e que já está em sua décima terceira edição (2016). Na ocasião, além da exibição completa da “13ª edição Bienal Naïfs do Brasil – Todo mundo é, exceto quem não é”, inaugura a mostra “Evidências”, um recorte comemorativo que celebra os 30 anos de realização do evento, cuja primeira edição ocorreu em 1986. As exposições contemplam 228 obras, criadas por 152 artistas de todas as regiões do país, com curadoria de Clarissa Diniz, Claudinei Roberto da Silva e Sandra Leibovici.

Bienal Naïfs do Brasil: Itinerância da 13ª edição – Todo mundo é, exceto quem não é

Das 948 obras, de 474 artistas vindos de 25 estados brasileiros, foram selecionadas 126 obras, de 86 artistas de todas as regiões do país, que se utilizam das mais variadas técnicas.

Um universo plástico muito especial no mundo da arte, e com significativa importância simbólica e cultural para o país, mostra um Brasil múltiplo e diverso, representando não raramente manifestações próprias de algumas regiões do país. Sem a rigidez e a formatação da arte acadêmica, os artistas utilizam diferentes meios e suportes na realização dos seus trabalhos, estando presentes bordados, xilogravuras, assamblages, pinturas produzidas com diversos matérias, instalações e performances (com o registro do trabalho do artista baiano Jayme Fygura).

O provocativo título desta 13ª Bienal, “Todo mundo é, exceto quem não é”, pretende colocar o Naïf’ como condição generalizada, na intenção de deixar de lado a questão “ser ou não ser Naïf”, a fim de constituir tramas de relações entre artistas diversos. Essa convivência permite experiências poéticas, estéticas e políticas que se misturam e se diferenciam incessantemente”, define Clarissa Diniz.

O título proposto tem múltiplos sentidos e leituras. Ele é irônico, provocativo e até perturbador, como, aliás, são também muitas das obras de artistas participantes dessa mostra. No entanto, “contém um desafiador convite à inclusão e à aceitação mais radical desse outro que nos é apresentado a partir dessas manifestações de caráter artístico”, complementa Claudinei da Silva.

Além das obras selecionadas, a exposição conta também com trabalhos de artistas convidados pela curadoria, e prevê a realização de programa de atividades paralelas e complementares.

 

“Evidências”

Os trinta anos de existência da Bienal Naïfs do Brasil, sediada desde seu início em Piracicaba, é celebrado no Sesc Belenzinho através da mostra Evidências, destacando em um “painel de evidências” os temas recorrentes desse segmento artístico Naïf, como campo, cidade, natureza, trabalho, gênero, religião, entre outros. São expostos 46 trabalhos, de 38 artistas que participaram em edições anteriores da Bienal no Sesc Piracicaba, além de peças cedidas por colecionadores e algumas obras que fazem parte do Acervo Sesc de Arte Brasileira, as quais demonstram o interesse da instituição por esse seguimento da produção artística nacional.

Neste universo plástico específico, de obras com caráter quase sempre figurativo, as mudanças sociais e políticas estão ora enfaticamente apresentadas, ora sutilizadas pela estratégia narrativa engendrada pelos artistas. As representações do trabalho rural retratam tanto a harmonia social e o congraçamento dos homens e mulheres com a natureza, como da exploração e da violência existentes no mundo. Além de uma seleção de trabalhos de singular força – de artistas consagrados, como o José Bezerra, ou menos conhecidos fora do circuito naïf, como Efigênia Rolim -, a exposição provoca fricção entre duas vocações distintas da vastidão de obras que passaram pela Bienal Naïfs.

Claudinei Ribeiro da Silva define: “as obras aqui apresentadas numa espécie de ‘painel de evidências’ sustentam essas fricções políticas desde aspectos esteticamente intrínsecos àqueles convencionais. Pois ao mesmo tempo em que determinadas imagens podem evidenciar explorações, por exemplo, elas também podem gerar reflexão em quem as vê”.

“Diante da heterogeneidade dessas três décadas de Bienal, parece-nos igualmente relevante sublinhar sua fecunda complexidade quanto arriscar-nos a traçar percursos por entre suas (e, portanto, nossas) ambivalências e contradições”, conclui Clarissa Diniz.

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