Isis Gasparini | Zip’Up | Zipper

Isis Gasparini, Ter à distância, pigmento mineral sobre papel 100% algodão, 40 x 60 cm, 2014-2017

Em sua primeira exposição individual, a artista Isis Gasparini traz uma síntese de uma pesquisa que realiza há sete anos sobre a relação entre olhar, espaço expositivo e obra de arte. A exposição “Museu mise-en-scène”, que abre dia 18 de maio na Zipper, reúne fotografias, vídeo e instalação que refletem sobre o espaço museológico como um dispositivo que direciona o fluxo e o gesto do público, bem como sua relação com a história e a memória. A mostra, com curadoria do coletivo Ágata, é a segunda abrigada pelo projeto Zip’Up em 2017, que dedica-se a projetos curatoriais inéditos.

Como forma de revelar a ação desse dispositivo, a artista investiga a relação entre público e obra de arte no espaço museuológico, onde os processos construídos são pensados ora como uma dinâmica cenográfica – os conflitos entre um ideal de visibilidade e a luz que intervém sobre as imagens –, ora como uma dinâmica coreográfica – o embate entre o corpo do espectador que olha e o corpo da obra que é vista.

A maior parte dos trabalhos da artista foi realizada em museus europeus de grande circulação, sendo que cada série de traballho reflete sobre um aspecto distinto destes dispositivos: na série “Diáfano” sobre a interverência da luz na relação entre público e obra, em um espaço que busca controlar as condições de visibilidade para garantir ideal dos trabalhos; em “Postais”, a artista traz uma obra de Monet que, por meio de suas reproduções, continua respondendo às questões colocadas pelo artista sobre o modo como o tempo age sobre a paisagem.

Mestranda em Poéticas Visuais na ECA-USP, Isis Gasparini (São Paulo, 1989) encontra na pesquisa teórica o insumo para sua produção visual. Sua pesquisa recente encontra na fotografia, no vídeo e na instalação novas formas de pensar o olhar como uma performance que envolve todo o corpo, entendendo a obra de arte como um outro corpo que reage às condições do espaço e ao olhar do público. Residências artísticas: 7th Coreographic Coding Lab (2016), Cité Internationale des Arts (2014). Prêmios: Salão de Belas Artes Bruno George (1º Prêmio na Categoria Fotografia e o 1º Prêmio-Aquisição).

Formado em julho de 2012, o coletivo Ágata é um encontro de afinidades. Um coletivo que parte da pesquisa do processo criativo para criar ferramentas de compreensão e atuação no contexto da arte contemporânea. Ao se valer da multidisciplinaridade de suas integrantes, atua em diversas frentes, entre elas a crítica e curadoria, produção de conteúdo e trabalhos autorais.

 

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