Circulidade Vã | Z42 Arte Contemporânea

Daniel Albuquerque, Volta XI (tanga)

Primeira ação do projeto FOZ abre na galeria Z42 Arte Contemporânea com a exposição “Circularidade Vã”.

Com curadoria de Guilherme Marcondes e João Paulo Quintella, assistência de Ana Bourdagohe, a coletiva reúne pinturas, esculturas, objetos, vídeos e performances de onze artistas.

A curadoria partiu de obras que tencionam noções de circularidade. “O símbolo, a forma, o movimento circular trazem repetições, mas também alterações, reinícios, outros pontos de partida para um enfrentamento do mundo. A mostra investiga uma circularidade aberta: não através de uma questão formalista, mas sim uma circularidade que se expande para o corpo, para a pintura, para a escultura e outros suportes” explicam os curadores.

Participam os artistas: Andre Terayama, Bia Martins, Daniel Albuquerque, Davi Pontes, Felipe Barsuglia, Gabriela Mureb, Iabah Bahia, João Modé, Maria Laet, Nike Arnold e Pablo Ferreti.

Sobre as obras

André Terayama apresenta os vídeos: “Fúria Centrípeta” e “Fúria Centrífuga”. Em um, ele desenha um círculo com giz no chão, reforçando as linhas, para depois apagar com o próprio corpo, em um exercício vão. Ele vai girando, ficando tonto e isso também reverbera no seu senso de equilíbrio e percepção. A obra comenta questões da História da Arte, como “De Kooning apagado” de Rauchenberg; e performances americanas dos anos 1960.

Em uma ação gestual, Bia Martins quebra uma escultura clássica, que ela produziu durante seu curso na Escola de Belas Artes. Ela jogou a peça do alto da instituição e apresenta na mostra o vídeo do ato e seus resultados em um embate com a academia, este grande cânone. No dia do evento, a artista também fará uma ação intitulada “Queimada”, na qual ela prepara uma bebida lendo um texto junto com o público, aglutinando pessoas dentro deste círculo comum.

Daniel Albuquerque apresenta trabalhos que tratam de questões da pintura e da escultura. Através de tricôs e obras de gesso, cimento e tinta spray, seus gestos transcendem a objetualidade, ainda que extremamente materiais.

Na abertura da coletiva, Davi Pontes realiza a performance “dança-problema de um corpo colonizado”, com uso de fumaça e um ventilador. Em sua pesquisa sobre o corpo, o movimento é fundamental.

Felipe Barsuglia expõe obras pequenos formatos com tom irônico, que desafiam a pintura como a grande arte clássica. Ele leva isso ao limite, como, por exemplo, quando utiliza uma flanela como tela, quebrando processos históricos. O artista ao mesmo tempo reivindica, cancela o estatuto da pintura.
A obra de Gabriela Mureb é uma máquina que tenciona noções de circularidade. A máquina e seu motor cumprem uma função, que são deslocados pela artista. O que resta é o diálogo estético da correia girando. Suas obras fazem barulho, permeando todo o cubo branco, impondo novas sensorialidades. “Aqui estamos falando de outros usos possíveis das coisas do mundo. Assim, pensamos outros usos de um material que é industrial, que pressupõe um uso específico”, dizem os curadores.

Já o artista Iabah Bahia apresenta uma pesquisa que permeia o corpo, a matéria e suas possibilidades de coexistência. Ao longo da montagem da exposição, o artista produziu dispositivos de cimento e areia – esculturas que tomam o molde de seu corpo. Em seu processo pensa sobre a materialidade do cimento e o concreto, tão sólidos e até opressores, mas ainda assim expansíveis, sendo o sujeito capaz de tensioná-los.

Importante artista carioca, João Modé apresenta uma instalação/escultura que tem a leveza de encontrar nos materiais outras formas de percebê-los.

Uma instalação de Maria Laet ocupa um quarto escuro da Z42 e o público vai entrar e se mover reverberando o som de bolinhas de terapia chinesa, propagando sons e experimentando sensações.

Através de seus vídeos a artista venezuelana-alemã Nike Arnold apresenta paisagens incomuns. Uma usina eólica e um crematório são cenários para seus questionamentos a cerca dos ciclos da vida e do produtivismo industrial.

Pablo Ferreti trabalha com pinturas à óleo, em que produz quase apagamentos. O artista parte de um processo figurativo, que é posteriormente “apagado” através do uso de solventes, resultando em composições quase inteiramente abstratas, mas que ainda guardam algum vestígio desta origem figurativa.

Durante a abertura os artistas residentes da Z42 estarão com ateliês abertos para visitação. São eles: Jorge Barata, Katia Wille, Maria Lúcia Fontainha, Marcio Atherino e Rona Neves.

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