Cícero Dias | Multiarte Galeria

Cicero Dias, O Sonho, 1983

Cicero Dias, O Sonho, 1983

A Multiarte iniciou as suas atividades em novembro de 1987 com a missão de apresentar para o público de Fortaleza o que havia de importante no cenário artístico nacional. Realizamos ao longo destes trinta anos,45 exposições sempre acompanhadas de um catálogo ilustrado, o que hoje constitui uma fonte bibliográfica importante. Além das exposições,promoveupalestras por grandes críticos e historiadores,com a presença de artistas e ainda, ciclos de conferências. Atualmente, a Multiarte se dedica a coordenar grupos de estudos com artistas, colecionadores, professores, alunos e arquitetos.

Em 20 de novembro de 1995, a Multiarte abrigou a primeira e única exposição de Cícero Dias realizada em Fortaleza. Segundo o artista, esta mostra se tornaria um marco na sua vida, pois, além de Recife, Fortaleza seria outro local pioneiro no Nordeste a abrigar uma exibição mais abrangente de sua trajetória.

Decorridos 22 anos, e por ocasião das comemorações dos 110 anos de nascimento do artista, a Multiarte apresenta nova exposição, no mesmo formato daquela que tanto encantou o artista. Com curadoria compartilhada, texto crítico e cronologia da crítica de arte e biógrafa do artista, Angela Grando, doutora em Teoria e História da Arte pela Universidade de Paris I, Sorbonne. A cronologia apresentada teve como fonte principal sua tese de doutorado, Cícero Dias: FigurationImaginative et AbstractionConstruite (1928-1958) na qual, faz uma correção histórica da data de nascimento do artista. Erroneamente publicada como 5 de março de 1907, a partir desta publicação, comprova-se ser 5 de fevereiro de 1907, mediante sua certidão de nascimento.

As obras que compõem esta exposição, a maioria inéditas, são onze aquarelas dos anos 1920 e 1930, um desenho da década de 1930, vinte pinturas dos anos 1930 a 1980 e dez litografias que constituem a Suíte Pernambucana, parte de um conjunto de 25 gravuras editadas em 1983, a partir de suas aquarelas de 1920. A impressão das litografias, feitas ao longo de um ano, ficou a cargo do Atelier Pierre Badey, em Paris, e todas as etapas de produção foram cuidadosamente supervisionadas pelo artista. Após a conclusão da impressão, as matrizes foram destruídas.

Cícero Dias viveu intensamente a cena artística no Rio de Janeiro. Da sua primeira exposição em 1928, até sua ida para Paris em 1937, integrou-se no início dos movimentos modernistas, foi amigo de artistas, escritores e intelectuais, participou do Movimento Antropofágico lançado pelo Manifesto de Oswald de Andrade (1890-1954), expôs em Nova York e fez parte do Salão Revolucionário de 1931 – um marco no modernismo brasileiro, organizado por Lúcio Costa (1902-1998). Retira-se para Recife, onde monta ateliê e continua a trabalhar intensamente, e segue participando da vida intelectual com seu grande amigo Gilberto Freyre (1900-1987). Em 1937, vai para Paris, onde o aguardam o pintor Di Cavalcanti (1897-1976), sua mulher Noêmia Mourão (1912-1992) e o escritor Paulo Prado (1869-1943).

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