Camila Soato | Zipper Galeria

Em “Caviar é uma ova!”, nova individual de Camila Soato, a artista volta-se novamente para a discussão sobre gênero e questionamento sobre o status da pintura na era da apropriação de imagens. Com curadora de Paula Borghi, a mostra mantém o tom de sua última exposição na galeria – “Nobre sem Aristocracia: Projeto Vira-Latas Puros nº 51”, 2014 – e reúne cerca de 30 trabalhos inéditos em distintos formatos.

Vencedor do prêmio de Melhor Exposição Prêmio PIPA Voto Popular (2013), o trabalho de Soato é agressivo. A pintura é bruta, com pinceladas carregadas de tinta, blocos de cores acumuladas, limpadas de pinceis e dedos. Ao mesmo tempo, representa elementos figurativos – predominantemente a figura humana no caso desta exposição – sofisticados. A artista força a convivência da abstração e da figuração nas telas com o propósito de romper qualquer hierarquia que possa haver entre elas. O mesmo rompimento é perseguido nas questões de gênero.

A artista faz da pintura sua plataforma política. Em um dos trabalhos, uma figura feminina é retratada se depilando, com a mesma naturalidade que um comercial de TV mostra um homem se barbeando. O desconforto ao ver a primeira imagem, portanto, não diz respeito ao trabalho em si, mas ao ambiente que a sociedade relega às mulheres. A artista apenas escancara. “O feminismo foi se cortando consciente no meu trabalho. O universo da mulher é relegado ao ambiente doméstico, à delicadeza. Minha pintura foca no oposto”, a artista comenta. A individual traça um paralelo entre a produção contemporânea e a história da arte, questionando o lugar da mulher neste espaço em busca da liberdade do corpo feminino.

A apropriação de imagens colhidas da internet (fotografias, memes, gifs) passou a ocupar lugar central no processo de Camila. Ela faz da imagem efêmera e de renovação incessante como referência para produzir a pintura, cujo propósito na história da arte é justamente o oposto, o de eternizar cenas e símbolos. Quando a artista não encontra a cena pretendida, ela mesma realiza performances indoor e fotografa as cenas para referenciar a pintura.

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