Bruno Novelli | Zipper Galeria

Bruno Novelli, Cipó, 185 x 305 cm, acrílica sobre tela, 2017

Com uma produção pictórica que propõe uma aproximação visual com a técnica da colagem, o artista Bruno Novelli (1980) desenvolve sua pesquisa na criação de equivalências entre os elementos que se acumulam e se sobrepõem nas telas. Em “Muito Sol na Cachoeira”, sua primeira individual na Zipper Galeria, ele exibe um conjunto de novas pinturas em que mescla distintas referências do universo gráfico na representação de elementos da flora e da cultura brasileira. Caules, flores e frutos se misturam a formas geométricas. A imagem da carranca Capelobo criada por Mestre Guarany tem o mesmo valor de um rabisco digital.

Uma das mudanças observadas nesta produção recente é o uso de grids semelhantes às linhas usadas em softwares de edição de imagens, sugerindo semelhanças entre o geométrico e o orgânico. Com texto crítico assinado por Ulisses Carrilho, a mostra inclui também uma performance sonora desenvolvida pelos músicos experimentais Emerson Pingarilho, Carlos Issa e Dimitre que acontece na noite de abertura.

Com uma produção desenvolvida em diferentes suportes, Bruno Novelli (Fortaleza, Brasil, 1980) desenvolve pinturas, desenhos, trabalhos digitais e mapas metagráficos. A espacialidade da pintura também aparece como objeto de pesquisa em sua série mais recente, “Substantivos Transitórios”, em que parte de experiências e registros fotográficos feitos em caminhadas na região da Amazônia e na costa de Santa Catarina e São Paulo. Sobrepondo diversos elementos em um mesmo plano, Novelli se aproxima da técnica da colagem, em que a perspectiva da pintura dá lugar a um aspecto mais bidimensional. Nessas obras, ele usa a floresta para articular uma cadeia de relações orgânicas, semelhantes às que existem também em um ambiente urbano. Nos últimos anos, participou de exposições individuais em Bogotá (Colômbia), Denver (EUA), Copenhagen (Dinamarca), São Paulo e Milão (Itália). Entre as principais mostras coletivas, destacam-se: MITOVÍDEOS, Museu da Imagem e do Som, Sao Paulo (2014); 2013; Cosmovideografias Latinoamaricanas. Centro Nacional de Las Artes, Cidade do México, 2013; Barro del Paraiso. Fundacion OSDE, Buenos Aires, 2012 e NOVA. MIS (Museu da Imagem e do Som). São Paulo, 2010.

Texto crítico: Ulisses Carrilho
Ulisses Carrilho (Porto Alegre, 1990) é curador e escritor independente. É assistente de direção na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, com Lisette Lagnado, e cofundador do Solar dos Abacaxis. Foi curador de “Aqui mis crímenes no serían de amor” (Cali, Colômbia) e “Morro” (Rio de Janeiro) a atuou como curador assistente no Parque Lage. Editou, com Luiza Proença, as publicações da 9ª Bienal do Mercosul. Vive no Rio de Janeiro.

 

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