Berna Reale (CCBB Musica.Performance) | Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo

A mostra “Vão” reúne três trabalhos inéditos da artista, produzidos exclusivamente para a edição especial do CCBB Música.Performance, evocando questões sobre vulnerabilidade, violência, gênero e abuso de poder. A exposição contém videoarte e instalação fotográfica, construídas a partir das performances realizadas pela artista em Belém (PA), sua cidade natal.

No dia da abertura, Berna e o curador da mostra, Agnaldo Farias conversam com o público sobre o processo de realização da mostra alicerçando o tema da edição especial do programa, a desesperança como estado de espírito.

Vão reúne três performances, sendo duas – Frio e Em pelo – realizadas em vídeo, e a terceira – Vã – em uma série de sete fotografias impressas em grande formato.

Nas palavras do curador Agnaldo Farias, “em todos os horrores que Berna Reale traz a público, a mulher, a própria artista, é a protagonista, assim como a cor de rosa, ao menos nessa exposição, é o signo recorrente. Cabe à mulher, centro da fecundidade, transportar a alegria da vida mas também a morte, o que ela faz atravessando cidades, caminhando por monturos de lixo, remando pelos canais indiferentes ao que circula às suas tonas. Como nos dois filmes de agora em que ela, entre homens indiferentes, embuídos que estão de seus rudes e absorventes afazeres nos espessos ambientes de um curtume e de uma fábrica de gelo, desenovela, entre as pilhas de peles (Em pelo), uma dança de origem trágica – os passos de um toureiro -, ou debruça-se sobre a montanha branco de gelo triturado (Frio) para enxugá-lo, obsessiva e inutilmente. O terceiro trabalho (Vã), traz a sequência fotográfica da artista como um ser enlouquecido sobre o estrado metálico de uma cama, vestida com um calção metálico, uma amputação do desejo, socando sofregamente o ar com luvas fofas de pelúcia rosa.” E complementa: “Com Vão, Berna Reale mantém-se entre os artistas responsáveis pelas performances mais relevantes da cena contemporânea nacional e internacional. Seu compromisso com o mundo em que vive, o modo como se inscreve nele, torna ainda mais patético os engajamentos anacrônicos e juvenis expresso em muito do que se produz hoje em dia.”

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