Athur Bispo do Rosário | SESI Campinas Amoreiras

Documentação da obra de Arthur Bispo do Rosário, Museu Bispo do Rosário - Arte Contemporânea, Rio de Janeiro.

Documentação da obra de Arthur Bispo do Rosário, Museu Bispo do Rosário - Arte Contemporânea, Rio de Janeiro.

Com curadoria de Luiz Gustavo Carvalho, a exposição “Arthur Bispo do Rosário: A Alguns centímetros do chão” apresenta pela primeira vez na cidade a obra deste grande artista, que faleceu em 1989, aos 78 anos, no hospital psiquiátrico Colônia Juliano Moreira.

O vasto universo de Arthur Bispo do Rosário é retratado na exposição a partir de 20 obras – objetos, estandartes, miniaturas e bordados – que permitem ao público entender a profunda e complexa personalidade deste artista. “Através de uma simples cadeira, incorporada no universo artístico de um dos mais expressivos artistas brasileiros do século XX, a arte traz a mais pungente resposta à loucura cometida pela sociedade brasileira em todos os espaços manicomiais do país”, comenta Luiz Gustavo Carvalho.

Arthur Bispo do Rosário passou a maior parte da sua vida internado na Colônia Juliano Moreira, no Rio de Janeiro. Defendendo os seus trabalhos com obstinação, pois via como missão catalogar ‘todo o material existente na Terra dos Homens’ para salvá-lo no dia do Juízo Final, ele guardava na sua cela objetos, muitas vezes bordados com fios desfiados a partir dos uniformes azuis do hospício, em um ato de subversão e lucidez contra a prisão manicomial. Apesar de nunca ter se considerado como um artista, a obra de Arthur Bispo do Rosário integrou algumas das mais importantes exposições em âmbito mundial, tais como a Bienal de São Paulo e a Bienal de Veneza, além de ter sido exibida no Museu Jeu de Paume (Paris) e no Museu de Arte Moderna de Nova York (EUA).

Apresentada pela primeira vez em 2016, durante a quinta edição do Festival Artes Vertentes: Festival Internacional de Artes de Tiradentes, a exposição “A alguns centímetros do chão” é realizada em parceria com o Museu Bispo do Rosário. Em São Paulo, a mostra percorrerá ainda outras unidades do SESI, sendo exibida em São José dos Campos (de 30.06 a 19.08), Itapetininga (de 25.08 a 07.10) e São José do Rio Preto (de 13.10 a 02.12). “Fico muito contente em poder apresentar alguns dos trabalhos deste artista pela primeira vez no interior do país, não só pela importância da sua obra, mas pelo impacto positivo que certamente causará nos visitantes”, adiciona o curador.

Trata-se de uma grande oportunidade para o público das cidades contempladas pela itinerância conhecer o trabalho deste artista de importância singular na história da arte brasileira. Após ter sido diagnosticado como esquizofrênico, Arthur Bispo do Rosário foi internado na Colônia Juliano Moreira, no bairro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. No começo da década de 60, ele iniciou seus trabalhos, realizando – com materiais rudimentares – diversas miniaturas, como de navios de guerra ou automóveis, e vários bordados. Em 1964, regressou à Colônia, onde permaneceu até a sua morte. Criou por volta de 1.000 peças a partir de objetos cotidianos, como roupas e lençóis bordados. Em 1982, o crítico de arte Frederico Morais incluiu suas obras na exposição “À Margem da Vida”, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM/RJ.

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