André Penteado | Museu Nacional de Belas Artes

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André Penteado fotografou o Rio de Janeiro de fevereiro de 2015 até janeiro de 2017 para o segundo livro da trilogia Rastros, Traços e Vestígios, que será lançado em maio pela editora Madalena. A mostra “Missão Francesa” busca relacionar passado e presente a partir da formação de artes no Brasil, pelos franceses, em locais emblemáticos como o Museu Nacional de Belas Artes, o Museu D. João VI e o solar Grandjean de Montigny, e a personificação do que esse processo representou, em retratos de alunos e professores da Escola de Belas Artes da UFRJ, retratos de descendentes de Nicolas-Antoine Taunay e desenhos, pinturas e esculturas dos artistas que compuseram a Missão, assim como de seus alunos, pertencentes aos acervos das instituições visitadas.

“Para os livros do projeto Rastros, traços e vestígios, escolhi temas que considero relevantes na história do país e que são anteriores à invenção da fotografia, logo não possuem iconografia fotográfica de época. Acredito que existe um paralelo entre o trabalho do fotógrafo e do historiador: se tanto a fotografia quanto a historiografia partem da realidade, é possível dizer que ambas são resultado de decisões ideológicas daqueles que as criam. Sendo assim, nestes livros, quero que a fotografia do presente sirva como um instrumento para reflexão sobre a construção das narrativas do nosso passado”, afirma o autor.

A ideia é que fotografia sirva como uma mola propulsora para a reflexão do leitor. Em cada livro, o artista inclui também textos historiográficos selcionados. Estes textos não são explicativos da obra mas sim parte dela.  “No livro reproduzi em tamanho maior do que o original uma publicação de uma carta do líder da Missão Joachim Lebreton, que foi traduzida pelo historiador Mário Barata para a edição de 1959 da Revista do Patrimônio Histórico e Artístico e Histórico Nacional”, completa.

O livro é dividido em três partes: na primeira, que representa o tempo presente, o leitor se depara com uma série de imagens, todas relacionadas de alguma forma com a história da Missão Francesa (há legendas no fim do livro que identificam cada uma delas), e que sugerem uma reflexão sobre a ideia de que copiar modelos resolverá os problemas e a dificuldade em seguir com o planejamento de projetos; a segunda, representando o passado, contém a reprodução do Plano de Lebreton para o estabelecimento de uma escola de Belas Artes no país, o documento fundamental desta história; e a terceira, apontando para o futuro, contém retratos de alunos da Escola de Belas Artes da UFRJ, instituição que “descende” diretamente da Academia Imperial de Belas Artes, mas traz também uma interrogação: “Se os diversos espectros da sociedade brasileira estão também nas escolas de artes, alguma mudança ocorreu, mas, se o prédio da Universidade está depauperado, qual educação está sendo oferecida a eles?”, se pergunta o fotógrafo.

Para a exposição de Missão Francesa no MNBA, André Penteado selecionou um grupo de trinta e três fotografias que resumem as discussões levantadas no livro. Estas imagens serão impressas em tamanhos diferentes, variando entre 48,8 x 60 cm e 136,5 x 110 cm. Os diferentes tamanhos e a disposição nas paredes das fotografias buscam permitir ao observador uma narrativa visual diferente do livro mas que busca manter sua complexidade.

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