Afluências | Martha Pagy Escritório de Arte

© Divulgação

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A ideia de apresentar Ana Dantas e Jaqueline Vojta em duas individuais sob o título AFLUÊNCIAS surge a partir da observação do processo de produção das duas artistas e seu movimento constante rumo a novas possibilidades no campo da arte.

Como bem define o artista Artur Omar, Ana Dantas tematiza a tensão entre seu universo e o mundo com obras fotográficas em que seu corpo atravessa a barreira da representação e simula um salto invertido em direção ao real, e objetos concretos dialogam com a imagem, produzindo novas imagens e assim até o infinito.
Fios que se desfiam, molduras encadeadas em abismo umas dentro das outras…que se deslocam como que atraídas pelos limites do quadro. Inúmeras variações onde fotografia, objeto e instalação se trocam os papeis em jogos paradoxais e muito delicados.’

Jaqueline Vojta, por sua vez, apropria-se de tecidos do passado e do presente para a criação de pinturas-colagens em configurações que da mesma forma se desdobram em novas telas de modo contínuo.
Em um belo ensaio poético sobre sua obra, o escritor português José Eduardo Agualusa assim a descreve: ‘Na infância de Jaqueline Vojta há uma tecelagem. Escrevo “há”, e não “havia”, pois a infância não passa nunca, é um lugar ao qual regressamos constantemente, abrimos uma porta e entramos nele, quer para fugir ao presente, quer para o compreender melhor.
Jaqueline abre essa porta secreta e vai à infância buscar as pontas das peças de tecido que saiam do tear rasgadas e sujas. Começou por pintar sobre elas composições abstractas, em tons suaves; passou depois a colar outros tecidos sobre essas primeiras composições, criando uma textura, uma densidade, que constituem hoje uma das mais óbvias características do seu trabalho. As costuras alastram como desenhos. (…) A arte é um jogo de lembranças. Aqui é um dia de tempestade, uma água escura fustigando a floresta; ali estende-se uma praia nua, batida pelos ventos; mais ao longe podemos ver um morro, um casario, cruzes plantadas em breves outeiros. Paisagens imaginárias que abrem para paisagens reais. Na arte de Jaqueline, como na natureza, nada se perde, tudo se transfigura e move – uma tela leva a outra e esta à próxima.’

Visitas por agendamento pelo telefone 21 2553-2442 ou email

Rio de Janeiro

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